Insurgência nordestina

Nordeste, insurgente desde sempre, pois é na dor da privação que desperta, à flor da pele, a condição humana de fragilidade; e com ela, a empatia. O nordeste é o ponto de resistência, pois a condição de povo é pungente por aqui. Não somos “um” povo — como muitos pensam — somos o povo, de verdade, excluído, periférico; somos parentes das favelas, somos sobreviventes. Somos quem sente na carne, a faca da fome, e a dor da pobreza, então lutaremos sempre, até por aqueles que não querem se ver como povo. Pois, cedo ou tarde todos lembram de suas raízes, e buscam redenção no chão que inevitavelmente os acolherá, é o que fazem sempre os nossos, aceitam os desgarrados como partes de si, pois entendem, que é fácil errar nessa realidade cortante, e não é o erro que destrói uma família.

A condição de povo é a marca que não se pode apagar, pois o sofrimento sempre estará à espreita de quem a possui, e enquanto não houver consciência e cuidado com as pessoas; é aqui — no nordeste —, abandonados à própria sorte, com o sol queimando em brasa, que nasceu o povo, que deu origem às periferias das grandes cidades, que saiu de uma situação de abandono e privação para outra, que prospera e sobrevive, até hoje, no limite, com a verdade latejando no peito, esperando uma fresta na casca da ignorância, para restaurar a empatia com os seus e lutar, conosco e por todos.

Os tempos podem ser sombrios, mas nós somos maioria, somos mais fortes; forjados pelo sistema que deveria nos engolir, moldados pelo calor que deveria nos cozinhar e afiados pelas pedras que deveriam nos quebrar. Seremos nós na trincheira, nossa voz nas fileiras, galerias e becos; nós e nossa família, irmãos de sangue e de luta, espalhados pelo Brasil, tendo em comum a condição de povo e a chama insurgente, que nos instiga a olhar no espelho e perguntar o porquê… E é suficiente para começarmos uma nova história.

Haverá um tempo para reconciliação, onde tomaremos consciência da nossa condição de povo, com esta, a condição de nação, e aí sim, dar-se-á uma reação em cadeia, de patriotismo, nacionalismo e trabalhismo; o bem estar social como meta, a cultura de paz como obsessão, uma miscelânea virtuosa, onde a única alternativa é o crescimento e a prosperidade, e todo esse obscurantismo, será uma lembrança de um passado remoto; mais uma vez, e quantas forem necessárias, até alcançarmos o que é nosso, até não haver mais força na ignorância que possa ofuscar a verdade.

(Foto: ‘Sertão sem fim’ – ©Araquém Alcântara)

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Equilíbrio é a chave para um mundo melhor

É possível e provável que o que há de errado com a sociedade, seja a falta de cuidado com nós mesmos, passamos tanto tempo olhando para fora, e de tanto olhar, o olho fica viciado no mundo, faminto por ele, ofuscando a visão da mente; criando um desequilíbrio constante que nos polariza, e acabamos por adquirir um comportamento predatório em relação ao mundo e aos outros, sedentos por mais, até que a mente esteja tão cheia, que dentro de nós seja um espelho do mundo e não o abrigo da alma, do ser divino, do eu…
Equilíbrio é a chave. Há um conto que fala sobre o dia em que Siddhartha alcançou a iluminação, o trecho essencial é:

“Certo dia, Siddhartha viu um velho músico num barco que passava próximo à margem do rio, que dizia ao seu aluno:
– Se você, meu caro aluno, esticar muito a corda de seu instrumento, ela se arrebentará. E se deixá-la muito frouxa, não haverá música.
Siddhartha, ouvindo estas simples palavras, entendeu que elas guardavam uma profunda verdade.”

Temos a impressão de que há algo de errado no mundo, mas isso é um erro, só há erro nas pessoas, o mundo é o que é, e não importa o que você acredite, ele tem seu ritmo, com funções definidas e balanceadas, a terra natural é perfeita; nós que ainda temos um longo caminho a percorrer. Não somos perfeitos, mas somos perfectíveis, e é aí que está o mister da sabedoria, que mudará o que alteramos, para o mundo melhor que almejamos.

Há muito o que olhar com a mente; então vamos trabalhar, esculpindo a nós mesmos na mais bela obra que pudermos, buscando todos os dias, aperfeiçoar o instrumento que ecoa a nossa essência; nossas palavras e nossa voz, nossa alma e nossa música, em todos os sentidos; assumindo diversas formas, sendo, por vezes pensamentos, por vezes ações. Agindo e interagindo, com nós mesmos, com os outros, e com o todo. A chave que os sábios deixaram, funciona para todos; abrindo mentes, destrancando corações; mas só funciona para o mundo, quando restaurarmos o equilíbrio em nós, de maneira a abrir as portas, desse mundo melhor.

Se eu puder te dar um conselho…

Transborde e inunde o mundo com sua essência, transforme todos os ambientes, deixe todos inebriados com você, marque a todos quantos forem possíveis com a marca indelével da presença única que somos todos e seja, por tanto um pouco de cada pessoa no seu caminho… O mundo é o resultado dos encontros e desencontros, somos parte de tudo e todos e tudo isso parte de nós, sejamos então o máximo que podemos ser, transbordar é a única regra real, então que seja sublime e edificante, poderemos não ter o amanhã pra nós mesmos, mas as nossas marcas sempre encontrarão o amanhã em alguém e esse sol nos esquentará para além da vida em nosso corpo, através dessa compreensão podemos ter um vislumbre do que é eternidade no decorrer do nosso ciclo.

Viva, por favor, o mundo precisa demais de você…

Aproveitar a vida é um ato de amor próprio e transbordar amor é o passo decisivo para encher o mundo com a água da vida, frutificar em nós o melhor, alimentar o ciclo da vida e manter acesa a chama que aquece toda a humanidade. Os computadores são instrumentos incríveis, mas não devemos tê-los como substitutos de nós mesmos no mundo. A presença é indispensável no convívio, as palavras oferecem alento, mas trabalhemos no sentido de imbuir o que transborda com o bom e o bem, cada um sendo o sol de seu próprio universo.

Mudemos, numa reação em cadeia, ecoando o melhor de nós, motriz da esperança de um mundo ideal que deixaremos de herança pra todos que amamos.

A família tradicional brasileira

Essa entidade abstrata que permeia a imaginação de muitos hipócritas é uma acepção fantasiosa e infantil de quem não consegue aceitar os próprios erros. Essa família tradicional sempre foi disfuncional em diversos aspectos, o que é parte da condição humana, a cultura e as relações se desenvolvem no cenário social, mas os interesses individuais se chocam com valores gerais sobre o que é certo e/ou moral.

Se pensarmos em termos de tempo, é fácil pensar sobre isso…

Nos anos 60, mulheres eram cidadãs de segunda classe, os casamentos eram realizados de acordo com interesses familiares ou financeiros, e a pedofilia era praticamente regra. Quem não conhece famílias assim? Mulheres tendo filhos aos 14 ou 15 anos, entregues por seus pais sem o consentimento da criança.

Nos anos 70, 80 e 90, tivemos algumas revoluções sociais, onde parte do pensamento estava ligado ao passado, querendo manter as “novinhas”, o que não mudou tanto assim, e todo um esquema de negócio e objetificação das mulheres, o que alimentou a misoginia que sempre existiu na sociedade, enquanto outros aplaudiam a erotização de crianças e adolescentes, não por coincidência a “rainha dos baixinhos” era também um símbolo sexual. Teve até uma paquita posando pra Playboy, mesmo sendo menor de idade, com aplauso e aprovação da sociedade.

Tudo isso em relação as mulheres, não passariam sem deixar suas marcas nos homens, a visão distorcida das mulheres e o machismo, corroboraram com o que aqui está, em várias gerações de homens que não respeitam as mulheres em vários aspectos, tornando-as reféns da própria condição de mulher, numa sociedade impregnada de todos os aspectos culturais aqui relatados e milhares de outros que não tenho a condição de condensar num único texto.

Todas essas pessoas, são seus avós e avôs, pais e mães, e tudo isso é a sociedade que se divide em famílias, e cada uma delas, a sua e a minha família, por diversos motivos, acabam por não funcionar…

A quantidade de pessoas sem o nome do pai no registro é absurda; os que não pagam pensão; os que não visitam seus filhos ou os abandonam; os que traem sistematicamente, com homens e mulheres; os que se entregam ao egoísmo e vivem apenas para si; os abusadores e pedófilos que babam pelas “novinhas”; os homossexuais enrustidos que traduzem em ódio o medo de se assumirem; todos àqueles que não admitem os próprios erros e sua cota de responsabilidade, são esses que estão por aí, defendendo a família tradicional, responsabilizando governos, escolas e professores, sem olhar no espelho, ignorando uma verdade incômoda e ostentando a hipocrisia para todos, sem se dar conta que no meio de todos, estão os que sabem que aquilo é mentira, passando vergonha e deixando registrado toda essa falsidade.

Se você quer defender a família, não busque um padrão, as pessoas são muito diferentes, então essa ideia de família tradicional não tem como funcionar, defenda a sua família, se cada um fizer isso, a sociedade ganhará muito no futuro. Façamos uma autocrítica, a nossa família não é responsabilidade da direita ou da esquerda, a família é de cada um, e cabe a nós buscar melhorar, e não será com posts moralistas nas redes sociais e sim com diálogo, dentro de casa.

Beleza

Só há um poder definitivo, a beleza, não há defesa, pois ela vem até nós por todos os sentidos. Torna doce o mundo percebido e é só por isso que muitos temem as mulheres, por sua relação com a beleza. Só as mulheres conseguem vestir-se e investir-se dela. Tê-la pra si e sê-la em si. Imbuída e arraigada, matéria e matriz da miríade de cores presentes para além da visão, pois um cego ainda veria.
Beleza é tão naturalmente da mulher que me espanta alguns tentarem balizar seus matizes. Só quem morreu pode estar imune à beleza e eu ainda tenho minhas dúvidas.
Olhar é um privilégio, um momento que não voltará. Naquela hora o mundo foi melhor, muitas curvas ou uma só, mas especial, única em sua condição, como a íris que se assemelha a uma galáxia que dá a pista da vastidão de sentimento no olhar de uma mulher. Às vezes transcende a visão, é um jeito, um gesto, magia das deidades, coisa que elas fazem sem se dar conta, tantas formas de beleza e como não há tempo numa só vida, me vejo tentando trazer pra minha percepção a beleza que sempre invade meus sentidos, sem pedir licença, afeta meu mundo e tatua em minha alma a certeza de que só a beleza faz sentido.
Milton Lavor

(Imagem da artista: Fabiane Alves Balbino @setting_sunshine, desenho com lápis de cor.)

Desculpe a demora…

Eu não pensei que um dia teria esse peso em mim. A carga de milhares ações que deixei de fazer. Imerso por cada frase que deixei ecoar apenas em minha mente, palavras que não conheceram a liberdade, atos sem plateia, sem ar. As vidas que não vivi, morreram em mim, afogadas por insegurança e medo.

Preteri cada possível versão de mim, em nome do que sou. Não tenho do que me arrepender, pois não os conheço, mas costumo pensar em como é o seu lado do multiverso, fico curioso por saber se vocês lidariam com essa pressão melhor do que eu. Penso se vocês sentem a angústia chegar e fortalecem os joelhos. Antecipam os golpes pra não cair. Imagino se vocês pensam em melhorar a forma de absorver os golpes da vida, pra não se dobrar. Pois se dobrar muda a visão e tira a perspectiva da pessoa que quero ser. Mesmo soando muito pretensioso, irei correr esse risco, pois quero muito mais do que tenho, anseio por mais de mim, mais dos outros e mais do mundo. A forma como sou visto ficará em segundo plano.

Será que vocês estão se indagando? Eu vivo assim… Intrigado com possibilidades, pensando se estou perdendo algo. Pensando se serei melhor que vocês, outras versões de mim mesmo. Buscando ampliar minha compreensão, como forma de entender a vida ou uma forma alternativa de enxergá-la. Sei que não nos falamos, tenho estado muito ocupado. Desculpem a demora, mas estou fazendo o melhor que posso pra deixar pra vocês as segundas melhores opções. Todos os impulsos são vida, logo não quero perder nem sequer as sinapses que se acenderam, mas não chegaram a conhecer o mundo fora de mim. Gosto de pensar que minhas possibilidades e palavras não morrem em mim, mas criam vertentes no multiverso, criando realidades alternativas, assim não terei perdido nada, e sim deixado pra mim mesmo numa outra realidade.

Desculpem a demora.

 

Desculpem a demora.

P.S.: Os textos estão demorando a sair, pois a vida tem cobrado muito caro por cada minuto que tiro pra mim, mas estou me esforçando para organizar tudo. Além da organização, penso no que mais seria necessário para maximizar a eficiência de minhas ações. Ainda estou aprendendo com isso, o que permanece é a dúvida constante; Será que estou aprendendo o suficiente?

As redes sociais, eu e a mensagem de ano novo…

Olá para todos,

Bem… Estou escrevendo isso como forma de explicar algumas coisas relacionadas com a forma como interajo nas redes e congêneres… Não sei se isso lhe interessa, mas acredito ser interessante explicar, mesmo que de forma geral. É minha mensagem de ano novo também…

Não posto muito no facebook, não costumo curtir fotos, vídeos e afins, pois na maior parte do tempo que estou no computador, estou lendo coisas relacionadas aos meus interesses no PC. Isso quer dizer que não me interesso por minhas amizades no face? Da forma que vejo o mundo, não. Interagir por meio de uma rede como o facebook, me parece muito insípido e a ideia de gerar metadados, rankings de pageviews, dar meu tempo para aumentar o valor de campanhas de marketing não é agradável. O tempo é precioso e não devíamos torna-lo mercadoria, ainda mais se for para contribuir com esse sistema que usa esses dados para nos tirar o poder de escolha.

Já vi uma serie de mensagens dizendo que irão excluir quem não interage e etc. Vejo isso como uma forma de coação. Chantagear amigos para conseguir atenção não é um modelo saudável de amizade e fazer parte desse esquema é fazer o jogo dos que usam desse meio para obter vantagens em relação a todos nós, a sociedade já é deveras sensível em relação às grandes corporações e crescer como sociedade já é muito difícil sem ter quem a sabote.

Outra alternativa são os mensageiros, o what’sapp é bem melhor e serve bem ao propósito da comunicação à distância. Até então desconheço o uso dos dados pelo APP. Mesmo assim, sou praticamente um fantasma dos grupos e minhas conversas nunca vão tão longe. A questão dos mensageiros é sobre uma postura minha mesmo, eu não mantenho a atenção por tempo suficiente para encarar uma longa conversa num mensageiro, sem contar que digitar no smartphone é muito desagradável. Também só irei teclar nesses mensageiros se tiver algo a acrescentar, do contrário irei ler e é só, mesma coisa no face, não sou muito de curtir ou reagir a tudo que leio. Simplesmente não acho necessário. Possivelmente, é só chatice minha, mas sou eu. Tenho minhas batalhas e já é difícil o bastante focar os esforços necessários, sendo como sou em relação as redes. Se eu fosse ativo mesmo nas redes sociais, talvez não conseguisse.

Resumindo… Gosto muito da minha família, amigos e etc. Se não conversamos muito, é só a distância e a vida sendo o que são, obstáculos a serem vencidos. Os sentimentos, assim como tudo na vida, são energia, energia são elétrons, e esses trabalham em outra dimensão. Não há perda, só transformação. Busco adaptar-me ao que me é imposto, pois tenho pessoas que dependem de mim, todos temos, então até estar numa situação mais confortável ou o sistema mudar para uma das utopias possíveis, estaremos lutando. Depois dessa tempestade iremos todos nos encontrar e compartilhar, de verdade, vivências e abraços, estreitar os laços e preencher os espaços que só uma presença inteira pode, curtidas e mensagens prontas, só mimetizam sentimentos rasos e não é bom nos acostumar com isso quando nós merecemos muitos mais.

Feliz ano novo…

Luna

Enxerga na relva a face do brilho
O cerne e razão de tanto furor,
Um dia soubera que o cheiro do lírio
Na tez do seu filho um cheiro de flor

Da dancinha alegre à cara emburrada
Matizes das cores mais lindas do amor
Bebendo sua água por estar cansada
Na testa suada um cheirinho de flor

Floresce no peito, o lar do conflito,
A rosa que apraz o fim dessa dor,
não há mais muralha, pois vi um sorriso,
Ouvi suas palavras com cheiro de flor.

Redes… sociais?

|LA| |PI| |DE|

Mortos conjuram seus cantos balidos
encaram o vazio com a face sem cor
A chama se extingüe ao fim do pavio
sua boca sem verbo não mais louva a dor

E passam por eles os corpos sem vida
Ostentam e se orgulham da face sem rosto
Mascaram o passado fingindo p’ra o mundo
Provando do fel e mentindo o seu gosto

Se iludem nos dias contados em horas
Expõem pinturas de coisas banais
Escondem de si a alma que chora
Se enfeitam de glórias em busca de paz

A paz que lhe escapa nas buscas erradas,
Os erros que fazem e os medos que traz.
Coser sua mortalha que jaz enganada
P’ra ler na sua tarja a palavra jamais

Viver sem sentido sentindo desgosto
E ser para si razão de derrota
Procurando a paz no caminho oposto
Olhar para dentro e achar que não nota

Contar para o vento o todo que fiz
E achar que seus ecos, são aprovação
Negando a verdade de não ser feliz
Rezar no final e pedir seu perdão.

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